segunda-feira , julho 23 2018
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FÓRUM DO LEITOR

LEMBRANÇAS

Sessenta anos atrás, no “Jardim do Matadouro”, havia árvores de diversos tipos muitas delas floríferas como as que beiravam a calçada em frente de onde ainda existe um posto de gasolina, as quais quando floresciam, presenteavam a todos com cachos de flores coloridas!
Para quem ia a pé, no caminho para a escola, para o “padre Aldo”, para a Santa Basilissa, para a cidade, que ficava longe do bairro sossegado, passar pela calçada sombreada e adornada pelas árvores floridas era pura alegria. Crianças, recolhiam os maços de flores caídas; adultos, uns ficavam admirados; outros, talvez atordoados pelas dificuldades da vida, não percebiam a beleza da natureza e das cores.
Um dia, sem aviso, as árvores da beira da calçada estavam no chão. Tombadas, raízes expostas, mortas!
Que surpresa! Que tristeza! O que teria acontecido?
Uns diziam que as árvores deixavam muita sujeira na calçada, outros que havia árvores “condenadas”, outros que caminhões e outros carros que por ali ficavam estacionados precisavam de mais espaço e a rua tinha que ser alargada, tirando um pedaço do Jardim, o que depois se confirmou.
Afinal, eram apenas algumas árvores, alguns metros do jardim que seriam destruídos e em troca, facilitariam muito a vida dos donos daqueles veículos. (?!)
Chorou o Matadouro! Choraram os pássaros, a natureza! Muitos choraram sem consolo, por eles mesmos e pelas futuras gerações.
O tempo passou e as calçadas continuam sujas, agora de outros detritos, e parte delas e do jardim, que não é mais jardim, estão ocupadas ou abandonadas; outras árvores foram “condenadas” e muitos veículos continuam disputando espaços próximos da reduzida praça.
Nestes dias quem passou pela Praça do Taboão, Nove de Julho, viu árvores no chão, tombadas, raízes expostas, veias abertas, mortas!
O que teria acontecido? Choraram os pássaros, a natureza!
Uns disseram que as árvores deixavam muita sujeira na calçada e nos carros ali estacionados; outros que havia árvores “condenadas” deviam ser cortadas; outros que, veículos, a maioria de outras cidades, que passam por ali, precisam de espaço para transitar com mais rapidez, (?) sendo preciso reduzir a praça e alargar a rua paralela para isso.
Afinal, são apenas algumas árvores, apenas uma fatia da praça que ao serem destruídas tornarão mais fácil a vida dos donos daqueles veículos e o trânsito fluirá uma beleza (?!).
Como será comparada esta história?
Chora o Taboão e os bragantinos, pelo desrespeito para com as suas memórias e pelas ocupações e transformações mal explicadas, de suas ruas, estradas, calçadas e praças. Destruímos para construir! Ainda não aprendemos como fazer de outro jeito.
Assim como as do Matadouro e as do Taboão, muitas memórias de Bragança Paulista serão pranteadas pelos seus filhos, pelo tempo em que forem lembradas.

(Maria Bueno, bragantina,
maria_bdasilva@yahoo.com.br)

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