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Carolina Rangel
*Carolina Rangel - Professora de Filosofia formada pela Universidade de São Paulo
Saúde pública
A experiência de poder passar um tempo em um outro país é incrível, principalmente porque nos dá um outro  parâmetro para medir as coisas cotidianas. Por exemplo, a maneira como as pessoas se relacionam nos  lugares públicos, nos meios de transporte ou nos supermercados. A gente que está acostumado com a  imensidão do Brasil a princípio se incomoda. Parece que nunca tem lugar para todo mundo e por isso as  pessoas sempre procuram ocupar o menor espaço possível. Até mesmo no som. Todo mundo fala baixinho e  fica pedindo desculpa o tempo todo por esbarrar um no outro. Isso incomoda um pouco a gente, que fica  sempre com a impressão de estar incomodando.   Por outro lado, aconteceu algo que no inicio me preocupou por conta da maneira como vivemos no Brasil. Por  determinado motivo precisei marcar uma consulta com um médico para que ele me redigisse um atestado de  saúde. De inicio liguei para o convênio, para não precisar gastar com este tipo de coisa. Estaria tudo resolvido  se o convênio pagasse tal despesa, mas parece que meu plano só cobre emergência. Me preparei então para  gastar uma boa quantidade de dinheiro, afinal quanto não custa uma consulta particular no Brasil? Para minha  surpresa, não precisei me desfalcar para ter acesso a uma consulta. Proporcionalmente, se fizermos a relação  entre o salário mínimo do nosso país e o preço cobrado pelo médico, equivaleria a pagar mais ou menos vinte  reais.   Fiquei feliz e ao mesmo tempo pasmada. Pasmada não por conta da quantia cobrada aqui, mas pela postura  dos médicos brasileiros que fazem com que uma consulta seja completamente inacessível para grande parte da  população. A única saída ao brasileiro é o Sistema único de saúde e me parece que sua qualidade não é  prioridade daqueles que deveriam se preocupar com isso. Nosso sistema de saúde é administrado pelo  munícipio e de uns tempos para cá a população usuária de tal serviço tem se mostrado descontente e  preocupada.  Profissionais importantes, com experiência e  queridos pela população têm sido transferidos. A  população teme que serviços que até agora funcionam bem, venham a se deteriorar com determinadas  mudanças. Este temor é natural para aquele que depende do SUS para sobreviver. Se, como eu disse anteriormente,  vivemos em um lugar onde profissionais de saúde cobram seus serviços de maneira tão desproporcional com  relação ao salário da maioria da população, é normal que haja inquietação diante de mudanças que parecem  desagradar aqueles que dependem de tal sistema para viver. Tal inquietação é normal e necessária.  Dependemos do médico que não cobra fortunas para atender, dependemos do hospital, da emergência e de  tratamentos oferecidos pelo serviço público. Nós como cidadãos devemos questionar o município com relação a  cada mudança que sentimos em nosso cotidiano. É nosso direito. E é dever do poder público nos oferecer tais  explicações.